quinta-feira, 4 de junho de 2009

Programa Espacial brasileiro ganha novo impulso

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, anunciou hoje a criação de um programa de cooperação entre as agências espaciais brasileira e venezuelana. A cooperação permitirá a sonhada criação do MoLLA, ou Módulo Lunar Latino-Americano. A previsão é de que uma missão tripulada ocorra já em 2013, levando uma força-tarefa conjunta de cientistas e astronautas da América Latina.

"Essa é a oportunidade que nós povos latinos sempre sonhamos em ter", diz o ministro da Defesa venezuelano, Gen. Ramón Carrizales. "Com esse módulo, mais a tecnologia brasileira de foguetes já existente e a excepcional localização da base de Alcântara, colocaremos a América Latina a frente do mundo nas pesquisas espaciais".

Ainda não está claro se o módulo permitirá uma longa estadia na Lua, ou se será uma base permanente com missões regulares de reabastecimento. A idéia de um laboratório fixo no satélite divide a opinião dos especialistas. Enquanto a possibilidade de descobertas é fantástica, há de se levar em conta a segurança e o psicológico dos cientistas.

"Morar no espaço por muito tempo é terrível para a saúde física e mental", diz Angus Waterbridge, astronauta americano que morou 6 meses na ISS (Estação Espacial Internacional). "Seu corpo perde muito cálcio, os ossos ficam fracos, a comida é horrível, e o espaço pequeno compartilhado em várias pessoas potencializa os atritos já naturais em qualquer ambiente". Mas há um porém: "se houver um rodízio de tripulantes, talvez uma base permanente seja possível sem uma rebelião", completa com bom humor o major aposentado.

No seu último pronunciamento, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, disse que "já estava na hora do povo ter o seu lugar na exploração espacial, cujos resultados até hoje só beneficiaram os países ricos do Hemisfério Norte". Mais comedido, Nelson Jobim diz que o avanço será marcante para a história não só do continente, mas do mundo.

Os detalhes do desenvolvimento ainda não foram acertados, mas o mais provável é que quase todo o esforço fique concentrado nos laboratórios do ITA (Instituto Tecnológico da Aeronáutica), em São José dos Campos. Algumas partes, porém, como o sistema de filtragem de ar e reciclagem de dejetos, serão feitas na Universidade de Caracas. Os experimentos a serem realizados na Lua ainda não foram definidos, mas o entendimento é que todos os países latinos que desejarem poderão enviar ao menos um cientista e equipamentos.

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